Resolvendo: PARADOXOS & ANTINOMIAS

(Capítulo do Livro Das Desigualdade ou Teoria da Criação)- Direitos Autorais Registrados - Lei nº 9.610

Conceitos Básicos para Solução de Paradoxos e Antinomias

   O conceito é que tudo é manifestação diferenciada, assim ao invés do “que é, é”, o princípio de identidade aristotélico passa a ser “o que é, é manifestação diferenciada”, nessas condições a realidade apresentar-se-á antes de tudo como plural, e não singular. Algo auto-evidente, a ordem universal preestabelecida que se revela aprioristicamente ao sujeito do conhecimento, a primeiridade da relação sujeito-objeto. Isto posto deve-se considerar o que exponho no livro Das Desigualdades ou Teoria da Criação (clique na frase em azul para ver trechos do livro):
   Conceito de Universal:
   Diferentemente da interpretação platônica, na qual se revela como uma unidade idéia do mundo das idéias universais, é aqui conceituado como um conjunto de seres sensíveis e diferenciados dentro da idéia de unicidade-unívoca, ou seja, varias coisas de uma coisa só; cada ser, obviamente, representando uma unidade, porém, concebida como um elemento inseparável do conjunto. Desta maneira, não pode existir sem ele, significando que não pode existir por si própria, só existe enquanto unidade ou elemento de um determinado conjunto. É como um dedo, só existe porque existe a mão (um conjunto de dedos). Se existisse somente um dedo, a mão seria o dedo ao invés de mão (Texto do Capítulo 2 do livro Das Desigualdades ou Teoria da Criação: DA NECESSIDADE DE UM NOVO CONCEITO PARA OS UNIVERSAIS E ADOÇÃO DO UNO COMO UNO-UNÍVOCO).
  O princípio de identidade aristotélico passa a ser então o “que é, é manifestação diferenciada” pela idéia de uno-univocidade, despertada pela percepção de um universal, que, nada mais é, que um conjunto de seres sensíveis de uma mesma coisa.
   Posto isto, diria que só podemos conhecer o ser a partir da manifestação diferenciada dele, sua forma percebida através do universal desta nova conceituação, significando um conjunto de seres sensíveis diferenciados uns dos outros percebidos no “continuum” espaço-tempo.
   Na classe “A” de cinco alunos, por exemplo, se o aluno quatro sair, ele perde sua identidade de aluno da classe “A”. Poderá até resgatar sua identidade de aluno, mas só se fizer parte de outra classe, denotando que não poderá existir por si mesmo como aluno da classe “A” ou de outra classe. É importante observar isso.
   Para dirimir eventuais incertezas posteriores, lembro que a classe de um aluno ou mais não é um conjunto, apenas uma unidade de classe de um conjunto de classes (uma coisa é classe, outra, aluno: são seres distintos). A condição de ser aluno é pertencer a uma classe, porque alunos sem classe deixam de ser alunos. A classe vazia existe enquanto unidade do universal sensível classe. Todo ser é uma manifestação ou existência diferenciada no espaço-tempo, seja ele singular ou genérico.
   Tais formas nos remetem, pela intuição, à idéia e constatação daquilo que é uno, sendo este a inteligibilidade inata do ser, inatismo que Kant (Kant, Immanuel 1724 - 1804) interpretou como condições a priori de conhecimento, na verdade idéias preexistentes oferecidas à razão. Todavia, o ser uno, deve ser tomado dentro do conceito de univocidade, ou seja, daquilo que designa muitos objetos de um mesmo gênero ou a idéia de várias coisas de uma coisa só, e não de uno-unidade parmenideana.
   Assim, há de se considerar dois tipos de ser uno: o unidade (o parmenideano) e o unívoco. O conceito uno-unívoco aqui adotado diferencia-se, portanto, do de uno-unidade, o qual significa uma unidade diferenciada do uno-unívoco.
   Como já vimos a unidade ou singularidade (representação da idéia de uno-unidade) só existe enquanto manifestação diferenciada de um conjunto de unidades, ou um universal, embora revele seu próprio universal enquanto ser uno-unívoco, ou a manifestação diferenciada dela própria. Um coelho não é a manifestação diferenciada dele próprio no espaço/tempo como outro ser singular qualquer?
   “O que é, é manifestação diferenciada” - vinculada à idéia de uno-unívoco - representa uma linguagem específica de metafísica, tal qual a expressão aristotélica “o que é, é”. Se considerarmos “o que é, é manifestação diferenciada” como princípio de identidade, dentro da idéia de univocidade, e não somente “o que é, é”, estaremos acrescentando e revelando a realidade da ordem universal preestabelecida, plural ou múltipla, facilmente observável; e também, estabelecendo de modo preciso e insofismável uma conexão entre realidade abstrata e concreta, tendo em vista que disto se extrai a idéia de unicidade-unívoca, pela materialidade e outros atributos, revelados nas formas que se apresentam à sensibilidade: tudo é manifestação diferenciada de uma mesma coisa. O ser singular homem não é uma manifestação diferenciada do ser uno-unívoco homem, representado no mundo sensível por um universo de seres humanos, diferenciados uns dos outros, no qual se encontra incluído?
   Nessas condições, o que se revela em Platão como universal ganha forma concreta no espaço-tempo, e a idéia de universal por ele concebida transmigra para a de uno-unívoco, resultando numa interação perfeita entre forma e conteúdo ( Texto extraído do Capítulo 6 - DA LEI DAS DESIGUALDADES, DA REFORMULAÇÃO DO PRINCÍPIO DE IDENTIDADE DE ARISTÓTELES E DA REFERENCIALIDADE DOS SERES).
   Como já exposto, o ser uno enquanto unívoco não é a unidade, porém, sempre a expressão diferenciada dele próprio, observada através do universal sensível que o representa. Torna-se uma unidade, quando representa, por meio de um universal (sensível), um outro ser uno (unívoco). É o caso de uma determinada cor como, por exemplo, o vermelho. Este, um ser uno-unívoco que se revela através de um universal sensível, tendo em vista as mais variadas tonalidades de cor que o vermelho revela, como o vermelho claro, o vermelho escuro, o vermelho sangue, o purpúreo, o rubro, etc. Por outro lado, a cor vermelha é uma unidade diferenciada do universal sensível cor e composto pelas mais diferentes cores: o azul, o branco, o preto e outras do ser uno-unívoco cor; cores que o universal cor representa. Pela mudança de referência, o vermelho como ser uno, representante das mais diferentes tonalidades de vermelho (um universal), passa a ser uma unidade dos mais variados tipo de cor, como azul, branco, preto, amarelo, etc. (um universal sensível, representante do ser uno-unívoco cor).(Texto do Capítulo 6 - DA LEI DAS DESIGUALDADES, DA REFORMULAÇÃO DO PRINCÍPIO DE IDENTIDADE DE ARISTÓTELES E DA REFERENCIALIDADE DOS SERES).
   Podemos agora examinar alguns paradoxos. Antes, definindo-os como troca de identidade ou uma indefinição, mais precisamente, considerar a unidade como sendo um universal ou um ser uno, ou vice-versa entre eles. Há de se considerar que todo ser uno é unívoco e que, para torna-se uma unidade enquanto ser uno, deve pertencer a uma outra referência de unicidade-unívoca, um outro ser uno. Exceto o ser Absoluto, os demais são relativos, pois dependem dos atributos determinados pelo primeiro.
   A regra é: Todo singular leva-nos a idéia de um conjunto, e este a idéia de um ser uno-unívoco, e, toda pluralidade ou universal é algo concreto por representar um conjunto de coisas sensíveis e diferenciadas, logicamente, como tal, oferecidos aos sentidos (texto do Capítulo 7 - DOS PARADOXOS).

   Quanto a antinomias, ao substituir idéias por representações, constatada pela utilização do termo estética, ou seja, tudo aquilo que se apresenta a sensibilidade, Kant, também, eliminou o ser enquanto idéia, daí as antinomias (uma forma de paradoxo), embora, tal termo seja uma grande contribuição para filosofia, tendo vista que abrange as mais diferentes sensações e não somente a visual. Ao conceber a expressão estética transcendental como conceito de realidade ele evita não só as querelas das idéias inatas como das complexas introduzidas por Lock - essas últimas na verdade representações complexas de idéias, as denominadas “simples”.
   Entretanto transcender é lidar com idéias, não com representações, ainda que de objetos não refratados. Certamente Kant tentou demonstrar que idéias são na verdade representações captadas pela intuição sensível, transcendentais enquanto advindas das condições a priori de conhecimento representadas pelo espaço e pelo tempo e as categorias.
   Sintetizando, as antinomias ocorrem em função da eliminação ou falta de entendimento do ser como idéia, justamente o inteligível dele, o uno unívoco, lidando-se somente com a manifestação sensível e diferenciada dele ora denominado de universal.

   * Ver exemplos de paradoxos e antinomias no lado esquerdo da página do Blog.

m.melo

(Trechos do livro Das Desigualdades ou Teoria da Criação-clique aqui)